domingo, 16 de novembro de 2014

3, 2, 1 GRAVANDO!

3, 2, 1 e vai! Ela tinha ensaiado a tarde toda, não o que iria falar, mas como iniciaria a sua fala, como cumprimentaria as pessoas, afinal, quem eram essas pessoas? Ela lá sabia. Mas de uma coisa ela sabia, ela queria fazer isso. Havia uma necessidade enorme de falar, de ser vista, que ao menos alguém comentasse, não precisava ser um elogio, mas alguém que tivesse passado pela mesma experiência, e dissesse: “Ah, eu sei bem o que é isso”. Isso seria o suficiente para encorajá-la e fazê-la continuar. Os dias eram normais, não havia nada de extraordinário, ela não tinha nada especial, não havia muito que fazer nem o que mostrar, mas havia o desejo, e esse não parava de crescer. Com sua simplicidade e sua pouca inteligência, ela se sobressaia e nem ela sabia o porquê disso, não havia nada inusitado, nem digno de holofotes, para ela não passava de um desabafo, um passatempo, ao menos tinha algo a fazer. E porque ela se sobressaiu? Por que será que alguém clicou? Por que será que alguém comentou e curtiu? Com essa atenção, então, ela logo se alegrou, não precisava ser muitos, mas poucos fiéis. Amigos, companheiros... Companhias era o que ela realmente precisava.  


Pouco a pouco tudo foi crescendo, seus leitores, seus desabafos, suas falas... números. Mesmo sem a presunção de tê-los ela viu o efeito que os números causavam para ela. Ela também cresceu. Cresceu em estatura, em seu vocabulário, cresceu até seu mundo imaginário e ela voltou a sonhar. É como se o mundo abrisse as portas das oportunidades, todos os seus sonhos reapareceram, parecia que tudo era possível, alcançável, tocável, como se ela tivesse permissão divina para isso. Como estava crescendo, as exigências também cresceram com tudo! O que era legal, começou a ficar enfadonho. O que era hobby, trabalho. O que era divertido, mais sério. Então ela começou a se perguntar: o que estava havendo, quando foi que tudo mudou, quando deixou isso acontecer; eram tantas perguntas e questionamentos, porém ela não tinha tempo de parar e digerir tudo o que estava ao seu redor, tinha que continuar seguindo o fluxo, dá conta do que ela havia conquistado. 
      Nem sempre correr atrás dos sonhos é algo fácil, o sonho realizado faz colher o bem esperado, no entanto, seu labor para que o sonho acontecesse pesava, tinha um preço, o mesmo preço que o sucesso exigia. E ela estava lá pagando por tudo isso. Houveram tantas renúncias, ela simplesmente fechava os olhos e se jogava... 3, 2, 1 e lá vai mais outro vídeo, mesmo sem querer, mesmo sem saber o que dizer ao certo. Incertezas a iludia, a inebriava sem parar; aliás, a única certeza que ela tinha, era que ela não podia mais parar...                                                             
Flavinha
。◕‿◕。   

Um comentário: